O que é Codesenvolvimento Profissional? | Entrevista Claude Champagne



Se você está se perguntando "O que é Codesenvolvimento Profissional", chegou ao lugar certo! A seguir você verá a tradução de uma entrevista de Claude Champagne, co-criador do Codesenvolvimento, para Lionel Meneghin, redator-chefe da Dirigeant.e, uma publicação francesa. Essa entrevista foi realizada em 10 de maio de 2002 e pode ser lida em seu idioma original aqui. Traduzido e adaptado por Christine Bona, facilitadora da Formação em Codesenvolvimento no Brasil, o material a seguir mostra as principais novidades e atualizações desse método de grupo que promove mais colaboração e cooperação, cria um espaço de trocas seguro dentro da organização e ainda funciona como sustentação para a mudança, potencializando a capacidade contínua de aprendizagem. Continue a leitura e veja a entrevista na íntegra!


 

Compartilhar um problema e cultivar a inteligência coletiva, esse é o propósito do codesenvolvimento profissional, método que se desenvolveu em todos os lugares nos últimos vinte anos. Claude Champagne, um dos dois criadores do método, publica hoje um novo livro que dá uma visão geral das numerosas experiências e sucessos obtidos sobre o assunto. Entrevista. Dirigeant: Qual foi o seu percurso? CC: Venho do universo da psicossociologia, da linha original da obra de Kurt Lewin e inspirada no pensamento pragmático de John Dewey e humanista de Carl Rogers.


Sou mestre em psicologia social e psicologia ambiental, obtido em 1980 na Université de Montréal. Mais tarde me tornei um consultor certificado de recursos humanos em Quebec.


Tive uma carreira na educação, consultoria e na rede de saúde e serviços sociais, dentro de diversas organizações como responsável pela formação e desenvolvimento organizacional, atualmente sou aposentado de instituições públicas, faço consultoria em codesenvolvimento: treino facilitadores, acompanho organizações e, também, facilito grupos de codesenvolvimento.


Eu me considero um curioso praticante-pesquisador.


Dirigeant: Que circunstâncias o levaram a desenvolver esse método há quase 30 anos?


CC: Depois de concluir meus estudos, senti a necessidade de aperfeiçoar minha prática e criar minha rede com jovens profissionais da minha área. Formei um grupo de profissionais em intervenção organizacional que se reuniam regularmente aplicando a abordagem da praxeologia liderada pelo psicólogo e pesquisador quebequense de grande reputação Yves St-Arnaud.


Posteriormente, apliquei uma abordagem semelhante em um hospital onde fui responsável pela formação dos gestores. O sucesso do nosso primeiro grupo foi como uma bola de neve nas instituições e depois na rede de saúde de Quebec. Formamos então um grupo de facilitadores interessados em pensar e experimentar esse método, quando juntou-se a nós Adrien Payette, professor da ÉcoleNationale d'Administration Publique (ENAP) que já tinha uma prática inspirada no aprendizado de ação (action learning). Com base nesses experimentos, publicamos em 1997 um livro que se tornaria a referência sobre o assunto.




Dirigeant: Quais problemáticas o codesenvolvimento permite resolver?


CC: Em codesenvolvimento, trabalhamos a partir dos temas e preocupações dos participantes que se reúnem em grupos de 4 a 8 participantes por compartilharem uma prática profissional ou não, mas que possuem um projeto comum de aprender juntos e ajudar uns aos outros. A partir do projeto e dos temas de cada um, é praticado um exercício de consulta num espaço de confiança, autenticidade, benevolência e confidencialidade. Por sua vez, cada um alternadamente assume a posição de cliente que apresenta seu tema, enquanto os outros atuam como consultores, não particularmente a partir de uma expertise, mas a partir da postura de acompanhantes e ajudantes.


“O codesenvolvimento certamente pode permitir que os participantes avancem em seus assuntos, preocupações, projetos, mas também visa ativar a capacidade de aprenderem coletivamente com essas situações.”

Há, portanto, uma parte de resolução de problemas que são as técnicas, profissionais, relações, identidades, apresentadas de acordo com as pessoas reunidas e com o contexto em que o codesenvolvimento é realizado (nos negócios, entre profissionais, de forma autônoma ou não), mas o codesenvolvimento visa essencialmente ser uma prática mais consciente, eficaz, autônoma, conectada e responsável.


Dirigeant: Hoje, o codesenvolvimento profissional é utilizado um pouco em todos os lugares, nos setores público e privado, por empresários e colaboradores. Quais são os pontos fortes deste método? O que o faz bem-sucedido hoje?


CC: É de fato cada vez mais utilizado, mas de várias formas que, às vezes, são bastante diferentes da proposta original. É usado em empresas privadas, grupos internacionais, organizações não governamentais, no setor educacional, em grupos diversos e grupos profissionais, incluindo grupos de pais, grupos de liderança de mulheres e até mesmo de adolescentes.


Seu sucesso pode ser explicado antes de tudo por seu pragmatismo. Focado sobre a ação e soluções, a abordagem não se enquadra na busca por causas profundas ou na aplicação de modelos teóricos ou filosóficos. Possibilita lidar com assuntos reais, levados pelos participantes. Estimula seu protagonismo e aumenta seu poder de agir, também deixando espaço para a imperfeição que os conecta.


Centrado no cliente, o codesenvolvimento atende às necessidades de cada um. A diversidade de contribuições e pontos de vista que é incentivada, sem debate ou busca de consenso, torna possível que o cliente faça sua escolha dentre a cesta de propostas de seus pares sem necessariamente ter que se justificar. Cada um é, portanto, um ator de suas soluções em sua realidade única.


Além disso, a aparente simplicidade do método de codesenvolvimento o torna acessível. Cuidado, isso não implica que o processo seja simplista! Requer tanto tato quanto experiência do facilitador, a criação de um espaço reflexivo conjunto, bem como um compromisso de todos e dando vez à ajuda mútua, reflexividade e ação.


O processo nos obriga a tomar uma postura de recuo, momentos de parada e de encontro com o outro, que são cada vez mais raros no movimento atual.


“A abordagem requer contato real e forças positivas de ajuda mútua que são tão benéficas para quem recebe ajuda e para quem a oferece, contribuindo assim para a saúde psicológica dos participantes.”

O codesenvolvimento também permite a criação de redes e oportunidades de compartilhamento com base na autenticidade e no respeito, mesmo em empresas e em sistemas onde se poderia esperar que fossem construídas naturalmente.


A imagem mostra Claude Champagne com camisa azul, na frente de árvores, mostrando seu novo livro:Le codéveloppement
Claude Champagne com seu novo livro sobre Codesenvolvimento "Le codéveloppement"

Dirigeant: Comparado ao seu primeiro livro escrito com Adrien Payette há 25 anos, o que seu novo trabalho traz a mais ou de diferente?


CC: Primeiro, o livro publicado pela casa Eyrolles responde à necessidade de tornar a fonte de informação sobre o codesenvolvimento mais acessível na Europa de língua francesa. Ao longo dos últimos 25 anos, inúmeros experimentos demonstraram a eficácia do método e suas condições de sucesso. Vários testemunhos atestam isso. Além disso, o método foi refinado e esclarecido, que foi amplamente desenvolvido no livro que pode ser considerado como manual do usuário, ao mesmo tempo em que explica as bases em que é construído.


Diante das muitas práticas que se desenvolveram a partir da base que propusemos, era necessário promover o espírito original de abertura, o não dogmatismo e incentivar as hibridizações que pudessem se mostrar úteis, por exemplo, com abordagens de análise prática ou diversas abordagens de inteligência coletiva.


Isso possibilitou reconhecer que várias formas de codesenvolvimento podem existir; formas mais breves podem ser aceitáveis (reconhecendo suas limitações) mesmo que aquelas que incentivam a continuidade ao longo do tempo e práticas reflexivas avançadas produzam outros tipos de resultados. Tomar um tempo para desacelerar, dar um passo atrás e investir no processo é sempre lucrativo. E, embora a contribuição do facilitador seja crucial como especialista no processo, nem tudo é sobre o que eles fazem.


“Para mim, a redação deste livro foi uma oportunidade de rever e reafirmar os fundamentos da abordagem, de especificar práticas vencedoras e de reformular minha própria teoria de ação em codesenvolvimento, que é, de certa forma, a abordagem proposta a qualquer participante que se compromete sobre sua prática.”

Se o grupo de codesenvolvimento já era relevante há 25 anos no acompanhamento de práticas profissionais, talvez seja mais agora com uma ampliação do seu uso. Tirar uma folga com os pares em um contexto cada vez mais mutável, incerto, complexo e ambíguo certamente solicita propostas e dispositivos que criem significado e conexão, que promovam reflexividade e ajuda mútua, que permitam o progresso em direção a uma prática em toda consciência, eficiência e autonomia, mas também como parte de uma ação comprometida, cooperativa e solidária. O grupo de codesenvolvimento faz sua contribuição para tudo isso. E não apenas numa base local, pessoa por pessoa, grupo por grupo, mas também pelos elos que são construídos entre todos esses praticantes pesquisadores engajados em uma busca por melhoria pessoal e social.




Christine Bona é Coach e Membro da Eight Rede Colaborativa de Diálogos Transformadores | Agente de Transformação Cultural | Co-fundadora da Rede Codesenvolvimento Brasil. Buscando sempre o novo para apoiar pessoas na descoberta e construção do caminho em direção ao seu propósito. Segue a vida aprendendo.

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