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Agilidade Emocional, por onde começar?

Atualizado: 3 de abr.

“Quando alinhamos nossas emoções às nossas ações baseadas em nossos valores, trazemos à tona o nosso melhor” Susan David

Imagem de um cérebro se conectando a um coração como metáfora para representar a Agilidade Emocional

Você tem coragem de encarar seus sentimentos? Coragem para compreendê-los de maneira curiosa, tenta e compassiva? Esse é o convite da Agilidade Emocional.


O termo foi cunhado pela professora da Harvard Medical School Susan David. Susan conta que, como psicóloga, muitos de seus pacientes a procuravam dizendo que não tomaram decisões com receio de ficarem tristes ou com medo de ficaram frustrados ou sentirem decepção. Ela diz enfaticamente:


“Esses pacientes estavam perseguindo objetivos de pessoas mortas. Pessoas mortas não sentem medo, frustração ou decepção. Se você está vivo ou viva, você experimentará essas emoções.”

O objetivo então é, em vez de fugirmos da nossa vida emocional, acolhermos nossas emoções conscientemente e com isso tomarmos melhores decisões, que estarão conectadas com nossos valores. Minimizar ou ignorar as emoções serve apenas para amplificá-las.


Vários estudos do professor Frank Bond, da Universidade de Londres, mostram que a agilidade emocional pode ajudar as pessoas a:


  • Aliviarem o estresse;

  • Reduzirem erros;

  • Tornarem-se mais inovadoras;

  • Melhorarem o desempenho no trabalho.


Diferentemente do que muitos de nós pensamos, as nossas emoções não são direções, são informações sobres nós. Como um feedback da nossa vida interior não há emoção certa ou errada, como diria o poeta Rumi, no século XIII, "todas estão para servir à vida".


Portanto, não há obrigação de estarmos o tempo todos felizes, isso é uma ilusão, um positivismo tóxico que nos faz perder a potência das possibilidades que as emoções querem nos mostrar.

Conversando sobre educação emocional nas Organizações percebo o quanto o tema não é mais um tabu, existem treinamentos, palestras e há muita informação à disposição. No entanto, continua muito longe de ser uma ação vivenciada. No dia a dia essa consciência emocional ainda é algo difícil de ser sustentada. Por isso, a Agilidade Emocional é uma abordagem tão poderosa, porque de maneira simples nos apoia a aplicar essa consciência emocional na prática.


Então, por onde começar a praticar a Agilidade Emocional?


O foco é gerarmos clareza interior. Para isso listamos um caminho inspirado nos aprendizados da Susan David e na Comunicação Não Violenta. Não são passos estáticos: você, de acordo com sua personalidade e rotina, escolherá como seguir esses princípios.


Você pode escolher vivenciar esse processo mentalmente ou, se quiser que seja um processo ainda mais consciente, escreva em um caderno. A escrita expressiva potencializa a Agilidade Emocional e você ganha um histórico emocional para compreender seus gatilhos, seus padrões e seus valores. Com isso, cria mais repertório sobre você, o que te apoiará em sua tomada de decisão e no desenho de novas estratégias e pedidos.


1 – Auto-observação


Neste ponto a gentiliza, a verdade e a presença entram em ação. É preciso parar e se acolher, perceber o que está acontecendo em seu Pensar, seu Sentir e seu Querer.


Aqui não entram julgamentos, comparações ou diagnósticos, simplesmente uma escuta amorosa de si, deixe seu crítico interior fora desse espaço. Gosto de chamar essa escuta de auto-empatia.


Sugestão prática: Pare e perceba seu corpo. Faça uma pausa para um check-in. Há alguma sensação corporal que indicaria a presença de uma emoção? Leve sua atenção até essa sensação corporal. Depois afaste-se e, como se essas sensações fossem um rio, vá para a margem e observe.


2- Nomear as emoções


Nesse ponto nomeamos nossas emoções, damos uma classificação para as sensações corporais que identificamos no primeiro passo. Essa pode ser uma parte desafiante se você não tem um vocabulário emocional (e a maioria das pessoas não tem!) e o máximo que consegue dizer é se você está feliz ou triste.


Ao nomear suas emoções com um vocábulo específico você está se auto-regulando. Isso permite que você as veja como elas são: fontes transitórias de dados. Nós, seres humanos, somos capazes de ter essa visão de fora, fazermos essa meta-análise e evidências científicas mostram que uma prática simples e direta de atenção plena como essa não apenas melhora o comportamento e o bem-estar, mas também promove mudanças biológicas benéficas no cérebro.


Sugestão prática: Tenha em mãos uma lista de sentimentos e a percorra até achar o que você está sentindo. Deixe essa lista em um lugar de fácil acesso ou até tenha um pdf em seu celular. Se não achar uma lista, nomeie o que você está sentindo por meio da sensação corporal. Por exemplo: Sinto meu coração acelerado ou sinto meu estômago revirado. Um bom livro para crescer em seu vocabulário emocional é o “Emocionáriode Cristina Nunez.


3- Conectar com seus valores


As emoções são mensageiras dos seus valores. Elas revelam o que de mais importante e significativo existe para você. No olhar da Comunicação Não Violenta elas revelam quais são suas necessidades, aquilo que você precisa.


Exemplos: Reconhecimento, Diversão, Autonomia, Colaboração, Ser Visto, Ser Ouvido, Compreensão, Transparência, Organização, dentre outros.


Sugestão prática: Assim que nomear o que você está sentindo, faças essas perguntas: O que estou precisando? O que é importante para mim nesse momento? Quais meus valores e necessidades essas emoções querem cuidar?


4- Agir conscientemente


Agora é o momento de expandir suas escolhas a partir dos valores e necessidades que encontrou no passo anterior.


O processo só fará você prosperar se você reconhecer que esses valores são importantes para você e desenhar uma atitude prática para o seu dia a dia.


Quais ações ou estratégias vão garantir com que esses valores sejam atendidos? Muitas vezes será necessário expressar pedidos e também expor seus limites. É um processo de autocuidado.


Por exemplo, para Ana Carolina, uma coordenadora de uma indústria química, ser vista e ouvida são necessidades básicas, ela fica irritada quando é interrompida na reunião mensal e não consegue expor todo seu raciocínio.


Tendo consciência disso por meio do processo da agilidade emocional, Ana tomou uma decisão: sugeriu aos colegas no início da reunião fazerem um novo combinado, um acordo sobre as interrupções e a escuta atenciosa, todos gostaram da ideia e até criaram um guardião da escuta.


O combinado tem funcionado e Ana fica tranquila para trazer suas ideias sabendo que será escutada pelos colegas. Isso até trouxe novo ânimo para inovar e pensar fora da caixa, ela percebe que junto com os colegas tem acessado a inteligência coletiva nessas reuniões.


Sugestão prática: Conecte-se com seus valores e necessidades e deixe as ideias surgirem, como seria se você tivesse esses valores preenchidos em seu dia a dia? Quais pedidos você precisa expressar para ter suas necessidades atendidas? De qual apoio precisa?


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Um dos principais benefícios da Agilidade Emocional nas Organizações é a melhoria nas relações intra e interpessoais.


Colaboradores que compreendem suas próprias emoções e as dos colegas são mais propensos a resolver conflitos de maneira construtiva e a construir relacionamentos mais sólidos. Isso resulta em equipes mais coesas e produtivas.

Desenvolver a percepção de sua própria agilidade emocional é um processo individual, entretanto promover a Agilidade Emocional nas Organizações requer um esforço conjunto.


Isso envolve a criação de um ambiente de trabalho que valorize a consciência emocional, a comunicação aberta e a empatia. Os líderes desempenham um papel fundamental ao modelar esses comportamentos e promover uma cultura de apoio emocional.


Fazer um check-in em grupo antes da reunião do time começar, com tempo para cada um compartilhar um pouco como cada um está chegando e criar nesse encontro um ambiente de escuta genuína e não julgamento é um caminho para implementar a Agilidade Emocional porque ajuda os colaboradores a criarem consciência do que está se passando em seu mundo interno. E essa clareza interior reverberará em suas ações externas.


Vamos juntos ampliar essa consciência?


Debora Gaudencio

Cofundadora da Eight.

Desde 2012 estuda a CNV - Comunicação Não Violenta e facilita encontros com esse tema dentro das Organizações.

debora@8dialogos.com.br

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