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  • Foto do escritorErica Mizumoto

Depois de “Um Drink em Nova York”



Recentemente li o texto “Um drink em Nova York” que Eugenio Mussak escreveu para Vida Simples. O início do texto é delicioso, pois o autor está justamente descrevendo as idiossincrasias de Nova York, cidade que eu adoro e com a qual muito me identifico. “Hummm... já estou gostando deste texto” pensei. E a medida que fui lendo, acabei me identificando muito com uma ideia sobre a qual o autor discorre e que justamente o havia intrigado naquele dia em que tomava um drink em Nova York.


A ideia é a seguinte: “Há um momento em que tudo muda. Entretanto, esse momento é apenas aquele em que a mudança é percebida.” E, continuando: “… alguns fenômenos parecem mudanças repentinas, instantâneas, mas na verdade são resultado de um processo lento, que começou muito antes e que foi se avolumando até ser finalmente percebido…”.


O momento da percepção da mudança é quando a relevância do fato atinge uma proporção que realmente o transforma numa mudança real.

Fiquei apaixonada por essa ideia, pois descreveu muito bem o fenômeno das mudanças comportamentais. O ser humano tem a tendência de olhar apenas o momento da percepção da mudança, sem muitas vezes levar em conta todo o processo longo, todo o dispêndio de energia que veio antes.


Fiquei tomada por uma certa euforia e logo quis compartilhar o texto, pois queria que mais pessoas se dessem conta do que de fato é uma mudança… E o texto foi compartilhado nas redes sociais. Mas ainda existia uma inquietação dentro de mim. Estava muito encantada com essa “ideia da mudança ser um processo".

Como sou Coach, resolvi olhar com mais profundidade o que estava acontecendo comigo, quais eram os processos borbulhando dentro de mim. E após alguns dias de reflexão e de alguns atendimentos que fiz, percebi que meu verdadeiro encantamento não era apenas com a “ideia da mudança ser um processo”, mas sim com o próprio processo de Coaching e as transformações que eu, de forma absolutamente privilegiada, posso testemunhar.


Sim, agora não estou falando de mudança apenas, mas de transformação. E transformação de pessoas em seres humanos melhores.

Quando uma pessoa entra em contato comigo interessada em fazer Coaching, a mudança já iniciou dentro dela: existe um incômodo já há algum tempo, que vem crescendo, e apesar de algumas tentativas de resolvê-lo, o incômodo não desaparece. Às vezes a pessoa consegue enganá-lo por um tempo, mas aí o incômodo volta. O processo de mudança está nascendo, alguma necessidade interna está começando a gritar mais alto. E vem a primeira ação: procurar ajuda.

Quando iniciamos o processo de Coaching (e não é à toa que se chama processo), o nível de conscientização e autoconhecimento ainda não são suficientes para que a pessoa, agora um Coachee (pessoa que faz o processo de coaching é chamda de Coachee), encontre alternativas para resolver seu incômodo.


Como todo processo de transformação é lento e cada pessoa é única, não existe fórmula mágica. Mas com paciência, dedicação, coragem e técnica (sim, porque Coaching bom exige técnica), a jornada de transformação se inicia.


Aos poucos o Coachee vai se conscientizando de suas fortalezas, se apropriando de suas capacidades. O autoconhecimento ajuda a desmistificar o que de fato lhe pertence, faz parte da sua essência, dos seus valores e o que ele (Coachee) carrega de bagagem extra (expectativas alheias, crenças, etc).


Os medos começam a aparecer, mas agora não são mais “bichos de 7 cabeças”. Esse processo de transformação nem sempre é tranquilo, mas é sempre dentro da capacidade de cada um, do quanto cada um quer se aprofundar. Aos poucos a transformação vai se fazendo percebida. Em alguns casos, no começo ainda mais tímida e ganhando força a cada dia. Em outros casos, surpreendentemente rápida.


E no final, o resultado são pessoas mais conectadas a si mesmas, com mais clareza do seu propósito de vida, do que querem e do que não querem mais. Certeza de que vai dar certo? Não, isso ninguém tem. Mas confiantes de que são capazes de superar os desafios que vierem, assumir seus erros e aprender com eles, pois agora estão conscientes de que não há evolução sem dar passos para frente, não há como evitar alguns tombos e sofrimentos, mas há sim diversas maneiras de superar a si mesmo e ser feliz durante a jornada, e não apenas quando se chegar lá.

E assim, o processo de Coaching termina, e a transformação está evidente e reluzente numa pessoa que vai para o mundo brilhando mais forte e consciente do seu brilho. E a transformação não está apenas no outro, mas em mim também. Sim, porque o coaching é uma via de mão dupla, onde há aprendizado de ambas as partes, onde eu também me transformo num ser humano mais humano…

E agora que consegui materializar em palavras os sentimentos que a “ideia de mudança ser um processo” provocaram em mim, sinto-me mais plena, mais em paz. Não era apenas compartilhar o texto… Eu precisava tirar de dentro de mim meu primeiro texto… Me desafiar a estruturar as palavras e organizá-las de modo que elas refletissem minha satisfação e principalmente minha gratidão por ser testemunha de tantos processos de transformação. Na verdade era isso que eu queria compartilhar… E olha, foi um processo! Resultado de uma transformação que vem acontecendo dentro de mim há muito tempo, um pouco a cada dia e eu não desejo que pare nunca…

Eu AMO SER COACH!


Erica Mizumoto é Coach e Cofundadora da Eight e aprende com cada processo de coaching que todo ser humano tem uma beleza única e um potencial para se tornar o que desejar ser.

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