Sobre resiliência, gerações e amor!


A palavra resiliência tem sido utilizada cada vez com mais frequência no vocabulário corporativo nesta pandemia e algumas vezes quase um mantra para manter a saúde emocional em algumas organizações. Resiliência tem sua origem na física como uma propriedade de retornar à forma original, já no campo comportamental é entendida como uma característica de adaptação positiva frente às adversidades.


Outro tema que está sempre por perto nas conversas corporativas é o conflito de gerações, que prefiro chamar de encontro de gerações.


Não há um consenso sobre quando começa e termina cada geração, mas é possível pensar em uma divisão geral conforme abaixo:

  • Baby Boomers (1946-1964)

  • Geração X (1965-1980)

  • Geração Y ou Millenials (1981-1996)

  • Geração Z (1997-2010)

  • Geração Alfa (nascidos a partir de 2010)


Mas o que a resiliência e as gerações têm a ver?

Pois bem, há um lado de quem acredita que as gerações passadas são mais resilientes, pois passaram por mais adversidades na vida, tiveram que lutar para conquistar o que têm, e já as gerações mais jovens, Y e Z, tiveram as coisas de forma mais fácil. Porém, existe uma outra visão de que os jovens da atualidade vivem a liquidez dos tempos modernos com mais intensidade. São mais julgados, expostos, vivem mais conflitos reais e virtuais e isso os tornaria mais resilientes.


Será que existe uma correlação direta entre resiliência e gerações?

Uma recente pesquisa da ADP Research Institute sobre resiliência aponta que a idade não prevê um comportamento mais ou menos resiliente no ambiente de trabalho.


De fato, a pesquisa aponta que 14% da Geração Z pode ser considerada altamente resiliente e 13% dos considerados Baby Boomers também apresentam esta característica.


O mesmo se aplica a gênero, em que não há uma diferença significativa nas comparações: 17% para mulheres e 21% para homens.


Mas o que chama mais a atenção nesta pesquisa e muda mesmo o ponteiro, não tem a ver com idade ou gênero, mas sim com o quanto você AMA o que você faz, como é a relação que é estabelecida com o seu trabalho e o significado que o trabalho tem para você.

Segundo a mesma pesquisa, aquele que ama o que faz, tem quase 4 vezes mais probabilidade de ser resiliente.

Quando falamos de pessoas, nos deparamos, por vezes, com um discurso que quer trazer objetividade e racionalidade para os seres humanos, numa visão mais reducionista e em caixinhas, mas se colocamos uma lente e olhamos de perto, é a nossa subjetividade e nossa relação individual com os eventos da vida que nos constroem e que dão sentido para nossas experiências.


Não tem como fugir do subjetivo quando falamos de gente!

Por isso, além de falar de resiliência e gerações, precisamos falar de trabalho e amor, e isso não tem idade nem gênero.

Mas o que é amor no trabalho?

Um ambiente de trabalho em que todos querem permanecer, onde existe uma proximidade entre as pessoas, onde há práticas de gestão que olham a potencialidade do indivíduo e não aquilo que lhe falta, é um gerir com autonomia, respeito, liberdade de expressão de ideias e escuta.

Nesta mesma pesquisa, pessoas que se sentem desafiadas, possuem um trabalho que podem gerar ideias e melhorias, têm a possibilidade de se apresentarem quase 3 vezes mais resilientes.

Essas questões subjetivas do ambiente de trabalho permeiam e continuarão a permear gerações e gerações, são necessidades intrínsecas ao ser humano: ser visto, reconhecido, amado, admirado, escutado, pertencente e respeitado.


A partir do momento que as empresas criam condições, através de modelos de gestão e desenvolvimento de liderança, para que as necessidades mais básicas no ambiente de trabalho possam ser atendidas é que as pessoas estabelecem uma relação mais positiva e com significado sobre o trabalho. Com este ambiente propício, aí sim podemos subir um degrau e falar sobre desenvolvimento da resiliência, afinal é muito difícil demonstrar um comportamento adaptativo frente a um trabalho sem sentido.


Michele Crevelaro é cofundadora, Coach e Facilitadora na Eight∞ Diálogos Transformadores. Também atua como psicóloga clínica e orientadora vocacional. Acredita que estamos neste mundo para evoluirmos e que isso só é possível por meio das relações humanas.

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