Meus aprendizados em família - Parte 2


Escrever sobre a minha família me levou para um lugar acolhedor e amoroso. E mesmo depois de terminado o texto, os pensamentos continuavam a invadir a minha mente e senti que tinha algo mais que precisava ser dito. Depois de um tempo em contato com o turbilhão que se formara em mim, entendi que minha mensagem, agora, era para cada um deles... O que aprendi com vocês?

Com minha cunhada aprendi que sempre podemos mudar. Se a situação não está muito boa, por que permanecer nela? Mudanças não são fáceis, podem demorar a acontecer, mas com determinação, vontade de ser uma pessoa melhor e respeitando o nosso tempo, podemos sim promover grandes transformações na nossa vida.

Minha sogra me ensinou que sempre é tempo de construirmos uma carreira profissional próspera e alinhada com a nossa missão de vida. Aos 50 anos de idade ela começou uma jornada que seria uma das suas grandes contribuições ao mundo. E ao contrário do que muita gente pode pensar, mesmo sendo uma jornada ligada ao propósito de vida, tem sim obstáculos a serem vencidos. E quantos! Mas minha sogra foi vencendo, cada um deles, com determinação e fé.

Com o marido da minha mãe e a esposa do meu pai aprendi que quando amamos alguém, estamos dispostos a rever nossas posições e a nos desafiar a enfrentar situações que provavelmente não escolheríamos viver, se não fosse por esta relação. Com o marido da minha mãe, também aprendi o que é dar espaço para a pessoa que nós amamos se tornar aquilo que ela é e não aquilo que nós gostaríamos que ela fosse. E com a esposa do meu pai, aprendi que nossas vulnerabilidades, quando expostas, fazem com que todos cresçam e com que nos tornemos ainda mais unidos e humanos.

Com minha irmã aprendi sobre amizade verdadeira. Sobre amar incondicionalmente. Quando eu era pequena, chorava muito. Podia ser na escola ou na aula de natação, eu chorava tanto que os professores não sabiam o que fazer... Meu choro só parava quando me levavam para a minha irmã, que no caso, estava em turmas mais avançadas que a minha. Lembro do olhar dela para mim como se fosse hoje. Ela não revirava os olhos, como muito bem poderia fazer, já que esta deveria ser a bilionésima vez que a caçula vinha “atrapalhar” a sua vida. Ela nunca desdenhou o meu choro. Ao contrário, ela sempre escorregava um pouquinho para o lado na cadeira e batia assim com a mão, olhando para mim com o olhar mais terno do mundo, dizendo “Vem, irmã. Senta aqui”.

Crescemos como amigas de alma e assim permanecemos até hoje, apesar da nossa relação ter mudado. Ela escolheu um caminho de vida que a levou para mais longe de mim, pelo menos fisicamente. Tive (e talvez ainda tenha) dificuldade de aceitar este caminho, porque isto significa não a ter mais no meu cotidiano o tanto que eu gostaria. Por outro lado, sei e sinto que ela nunca esteve tão inteira e tão feliz. E agora, à medida que escrevo estas palavras, fico aqui pensando se não está na hora de eu parar de revirar os meus olhos em relação às escolhas da minha irmã e, ao invés disto, olhar para ela com toda a ternura deste mundo e dizer, fazendo assim com as mãos “Vai, irmã. Vai ser feliz.”

Com meu pai aprendi sobre o perdão. Sobre ressignificar o amor de pai e filha ainda em vida. Aprendi que o riso solto de uma piada bem contada é o mais gostoso. Aprendi sobre envelhecer em paz com nossas escolhas, não querendo nem mais, nem menos, e sim, sendo feliz com a vida que escolhemos e construímos. Ele sempre me diz que “felicidade é prover no presente condições para lidarmos com o futuro, que é incerto”. E não é que ele está certo? Aprendi que nossos hobbies podem ser a mais bela expressão de nossos talentos para o mundo. Amo sua sabedoria e a capacidade que ele tem de falar de todos os assuntos. Amo ferramentas e furadeiras, por causa dele. Aprendi que música é prazer e encantamento. Me lembro de ser acordada aos domingos ao som de Elis Regina, marchas militares, chorinhos, música clássica... Eu só queria saber de dormir mais um pouco e quando se tratava de ouvir música, amava mesmo as bandas de rock inglês. No entanto, hoje consigo entender o que ele fez por mim naquela época e faz, até hoje. Meu pai me apresentou ao infinito universo da música, onde me perco e me encontro todos os dias.

Com a minha mãe aprendi que sempre é tempo de sonhar e de concretizar nossos sonhos. Que não tem idade para passarmos a limpo nossas mágoas. Que o humor nos ajuda a curar feridas. Que à medida que envelhecemos, ficamos realmente mais parecidos com uma criança: leves, brincalhões, esperançosos. Aprendi que amo ouvir piano tocado por seus dedos. Amo nossas risadas e nossos momentos juntas. Amo compor poesias com ela, quase tão boas quanto as de Pablo Neruda! Ou seriam até melhores? Sinto que minha mãe é minha conexão com a espiritualidade. É ela quem traz o etéreo mais perto de mim. Ela é luz. Meio bruxinha, meio humana, sempre soube fazer a dor parar e o amor nascer. Para mim, ela é Deus aqui na terra e por conta disto me sinto mais próxima Dele.

Com meu marido aprendi a amar e a ser amada. Aprendi o que é ter um companheiro que te apoia de verdade e acredita em você. Aprendi o que é torcer para que o outro se torne grande, para que o outro brilhe e para que o outro voe. Aprendi a acreditar mais em mim e que posso sonhar bem grande também. Aprendi que a cumplicidade e o diálogo verdadeiro são fatores importantes para manter viva a nossa relação. E que evoluir, juntos e individualmente também. As crises vão vir, mas aprendi que juntos podemos passar por elas e nos tornar mais fortes. Aprendi que eu amo pedalar ao seu lado. Amo suas expressões engraçadas e seu humor leve. Amo nossa rotina e dormir ao seu lado. Meu marido me ensinou a ser uma pessoa mais carinhosa. Aprendi com ele que a vida a dois traz significado para a minha existência. Aprendi que é possível construir o “nós” na relação com amor e respeito. A nossa união me faz me sentir confiante, feliz, esperançosa. Ao lado dele o mundo pára e eu sou só amor. Ele é só amor. Ele é o meu Lindo.

Quando me olho no espelho, vejo um pouquinho de cada um deles na mulher que me tornei. E me reconheço assim. Me sinto inteira. Vejo a vida deles em mim, nos meus olhos brilhando e no sorriso que está sempre lá, no meu coração.

Valeska Scartezini é coach e facilitadora de diálogos da Eight.

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