Meus aprendizados em família - Parte 1

Natal é uma época que, para mim, sempre me remete a família. Quando eu era jovem, minha irmã e eu até passávamos o Réveillon com amigos ou namorados. Mas o Natal... era sempre com a família.

Talvez pelo fato de o Natal estar se aproximando e por hoje, na hora do almoço, eu ter lido o artigo “Conviver em família”, escrito por James Allen, para a Vida Simples, eu me peguei refletindo sobre como são as relações na minha família e o que aprendi com ela.

Num primeiro momento, foram os sentimentos de orgulho, gratidão e amor que falaram mais alto. Sim, com todos os problemas que tivemos e ainda temos, eu sinto muito orgulho da família que nós construímos diariamente e ao longo destes anos. O amor está presente entre nós e reconheço e valorizo os esforços que fazemos pelo bem comum. Porque não há convivência em harmonia sem colocarmos o bem comum em perspectiva. Nossas ações passam a levar em conta a conjunção entre o “eu” e o “nós” que queremos ser.

Depois refleti que minha família me ensinou que sempre cabe mais um, independentemente de quem é você, de onde você veio ou do quão improvável possa ser o nosso convívio.

No começo, minha família era a família biológica. Meu pai, minha mãe, minha irmã mais velha e eu, além de avôs, avó, tios, tias, primos e primas. Mas o núcleo familiar mesmo era composto por nós quatro, meus avôs e minha avó (infelizmente não conheci minha avó paterna).

No entanto, com o passar do tempo, a família foi adquirindo uma nova configuração. Meus pais se separaram quando eu tinha 23 anos e os dois se casaram novamente. Porém, ao invés de a família se dividir e minha irmã e eu termos que fazer malabarismos para estarmos com nossos pais, separadamente, nas datas comemorativas, eles nos ensinaram que as coisas poderiam ser feitas de outro jeito.

O movimento inicial foi feito pela minha mãe. Ela foi ao encontro do meu pai para, literalmente, convidar ele e sua esposa para o casamento dela e do Oscar (claro que minha mãe e o então namorado Oscar conversaram sobre isto antes!). Minha mãe compartilhou que tinha o desejo de que eles quatro pudessem conviver em harmonia, em nome de nós, as filhas.

Graças ao primeiro passo que minha mãe deu e ao fato de meu pai ter tido abertura para dizer sim, eles, aos poucos, foram deixando o passado, os julgamentos e as dores para trás para que pudéssemos estar todos juntos. Isto significou meu pai e minha mãe convivendo novamente juntos e de forma próxima e incluiu trazer os novos companheiros para a família.

No começo imagino como deve ter sido para cada um deles vencer as mágoas de uma relação passada, que durou 25 anos, ou mesmo como deve ter sido difícil para o marido da minha mãe e para a esposa do meu pai encontrarem os seus lugares nesta nova família, convivendo os quatro tão de perto. Mas devagarzinho, com um propósito claro e muita disposição, os laços afetivos foram sendo curados, reconstruídos e construídos.

Então foi a vez de a família do meu marido se juntar a nós. Quando comecei a namorar, pensava como seria o convívio entre as nossas famílias, se eles se dariam bem, se seria natural estarmos juntos... Mas esta resposta só vem quando o convívio começa realmente a acontecer.

A família do meu marido era ele, o pai, a mãe e a irmã mais velha. E aos poucos, as duas partes foram se conhecendo, participando de aniversários e almoços para então percebermos, como que num piscar de olhos, que nossas famílias já eram uma só. Ajudou o fato de eles terem tido uma vida com semelhanças e afinidades, mas o que fez mesmo a diferença foi cada um estar aberto para pertencer a um novo grupo e a construir um novo núcleo familiar. E lá no fundo, sei que venceram as dificuldades iniciais em nosso nome, do meu marido e meu, pois viam a alegria estampada nos nossos olhos quando estávamos todos juntos.

Com isto, vieram os dois filhos do Oscar, do seu primeiro casamento; depois o marido da minha irmã. Cada um a seu tempo. Cada um a seu jeito. E hoje percebo que o grande passo foi dado lá atrás, quando meus pais decidiram ressignificar a relação deles, transformando o amor de marido e mulher, que existiu um dia entre eles, em um amor fraternal. Sem saber da importância deste ato, eles intuitivamente prepararam a egrégora da família para que novas conexões pudessem ser feitas.

Hoje, uma das nossas maiores alegrias é quando estamos todos juntos. Se o assunto é viajar, todos temos rodinhas nos pés. Já fomos a Portugal e Itália, resgatar um pouco da nossa ancestralidade. Alugamos um carro (que estava mais para uma van do que para um carro, afinal éramos muitos!) e saímos a percorrer as estradas da nossa história. As horas que passamos no carro, entre um longo passeio e outro, eram momentos de cantoria, de silêncio para não atrapalhar o sono dos que dormiam, de contemplação ou momentos de contar histórias das nossas famílias e dos entes que não estão mais conosco. Quando saímos para passear, demos risadas das nossas trapalhadas e das dificuldades que começavam a aparecer para alguns. Mas sabe, nestas viagens, a melhor parte é ficar horas na mesa do café da manhã, todos de pijama, conversando e desfrutando deste convívio.

Meu pai e o marido da minha mãe não se desgrudam até o último minuto quando estão juntos, parecem duas comadres. Nossas casas são as casas de todos nós. Uma hora estamos na minha sogra. Outra hora, meu marido e eu arrastamos todos para a nossa casa aqui em Porto Alegre. Minha mãe sempre tem disposição para fazer grandes almoços na casa dela e a esposa do meu pai não se cansa de nos mimar, criando receitas deliciosas daquelas que repetimos uma, duas, três vezes!

Esta família, feita de pessoas e histórias que foram se entrelaçando pelo tempo, é a minha família. Mas poderia também ser a sua, ser a nossa. E você, o que aprendeu com a sua família?

p.s.: a imagem que escolhi para ilustrar este texto é do cadeado que penduramos na fonte do amor, em Canela, RS, numa das nossas viagens.

Valeska Scartezini é coach e facilitadora de diálogos da Eight.

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