SUZANO


Saia de casa sempre com pressa, morava em um bairro central mas a escola dava cerca de 15 minutos a pé, às vezes conseguia companhia com outros adolescentes do bairro que também estudavam naquela escola, outras vezes curtia a jornada sozinha.

Passava pelo centro da cidade. Uma rua central - a grande Glicério - onde o comércio se concentrava, como toda cidade pequena, e às vezes cortava pelo bairro mais calmo e arborizado. Tudo na perfeita ordem.

Quando chegava atrasada, precisava convencer o “bedel” da escola pra me liberar a entrada, e não foi uma nem duas vezes que precisei ficar na salinha das “tias” da cantina pra esperar o sinal da segunda aula.

Fui filha de uma geração incrível, regada de “Legião Urbana, Engenheiros do Havaí, Rita Lee”, até hoje preservo AMIGAS dessa época que já com seus filhos sempre que nos reunimos lembramos do “Daniel, Jr, Mandju, Dudu, Hélio, Greici...” e todos os outros que fizeram parte da nossa história juvenil.

Sim, havia a rivalidade entre as escolas vizinhas, qual é a melhor? Os campeonatos de vôlei eram levados com muita seriedade, quando vencíamos, alegria, quando perdíamos choro! As contravenções eram calculadas e as vezes censuradas para mim, que era mais conservadora. As festas sempre geravam meses de papo no intervalo das aulas e claro, tínhamos nossos professores favoritos.

Hoje, Dudus, Mandjus, Greicis tiveram suas vidas cerceadas em uma daquelas escolas da cidade chamada Suzano. O choro não é por uma bola perdida no saque em um campeonato de vôlei, nem por um fora de algum paquera gatinho da turma.

Hoje choramos com os pais e mães que perderam seus filhos, que saíram pra estudar e não voltarão mais pra casa.

Choramos com os alunos que desligaram o som das músicas preferidas e lamentam pelos seus amigos que poderiam ser de “uma vida toda”.

Choramos por um país onde a educação poderia ser levada a sério.

Choramos por essas e por várias outras razões.

Talvez, todos procuremos razões de tamanha tragédia, culparemos a falta de segurança, falta de controle na entrada e saída da escola, julgaremos os também jovens autores do crime, perguntaremos onde estavam os pais daqueles que fizeram tamanho mal, duvidaremos de tudo e todos, questionaremos a juventude e perguntaremos onde elas encontram espaço para discutir suas dores? Questionaremos a saúde metal dos jovens, Vasculharemos as redes sociais dos nossos filhos e discutiremos a liberação do porte de armas.

Independentemente do que vamos fazer, a certeza é que lamentaremos as jovens (todas) que foram brutalmente tiradas, Sim! Choramos! e quando a lágrima secar, que tenhamos forças pra acreditar na humanidade e que coisas como essas não mais serão realidade em nosso pais.

"Todo mundo sabe, ninguém quer mais saber, afinal amar ao próximo é também morrer". Legião urbana.

Magali Lopes - Nascida e criada na cidade de Suzano, estudou toda sua infância e juventude em uma das escolas da cidade como a Escola Estadual Raul Brasil - vítima do ataque contra adolescentes de 15-16anos.

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