A Bela Velhice*


A semana começou muito feliz ao poder agradecer pela vida da minha querida mãe que completou 60 anos. Liguei para ela pra dizer o quanto ela é importante pra mim e para parabenizá-la, já que a festa estava combinada para o final de semana.

Conversamos sobre várias coisas e no final da ligação ela me disse que na semana seguinte ela iria dar entrada na aposentadoria. Oi?! A senhora não é velha, pensei comigo. Como alguém que corre 5k por dia pode dizer que vai se aposentar?! Bom, já estava atrasada para um compromisso e finalizamos ali mesmo.

Dois dias depois, a convite de uma querida amiga, estava eu participando do IV Fórum de Diversidade realizado pelo Banco Société Generalé aqui em São Paulo. Um evento que proporcionou uma curadoria de conteúdo muito interessante e instigante.

Um dos temas selecionados foi sobre a Bela Senioridade e pude então assistir a uma palestra da escritora, antropóloga social e colunista da Folha, Miriam Goldenberg.

Refletimos sobre a Cultura da Velhice e como isso se reflete para o brasileiro - no nosso corpo, que precisa ser magro, sensual e jovem, sobre como juventude ainda é valor e como seria envelhecer em um país com essa cultura.

Refletimos também sobre “Bela Velhice”, e como as pessoas de 60+ encaram esse momento da vida, considerando:

  • Valorização da escolha, da vontade e da liberdade.

  • Uma vida com significado.

  • Significado também no trabalho.

  • O desejo de ser útil, produtivo, ativo.

  • Ser o meu "eu melhor".

  • Fazer faxina na própria vida (material e existencial).

  • Viver intensamente o presente – Tempo tem outro valor.

  • Cuidados na velhice – amigos que ajudam.

No painel discutimos também sobre como essa pessoa está inserida no mercado de trabalho e lidando com as novas tecnologias e como esses desafios se apresentam com suas diferentes dificuldades.

Bom, a manhã desse dia já havia sido maravilhosa!

Chegando em casa, preparei uma sopa quentinha e como de costume chamei minha querida vizinha Dona Zeny, de 83 anos, ex jogadora de golf e uma artesã de mão cheia (faz lindos cachecóis de lã), para pegar um prato para ela - ela é fã número 1 das minhas receitas.

Lá vem ela com seu potinho e com a novidade que havia ganhado um Smartphone!

Toda feliz disse que já tinha “tudo instalado” no celular, correu no apartamento dela e trouxe o novo brinquedo para me mostrar. Iniciamos ali mesmo a primeira aula de acesso ao WhastApp.

Comecei pelo que seria mais fácil: gravar e escrever uma mensagem. A posição do dedo não ajudava, ela continuava dizendo que não era fácil, que toda vez que apertava o E saia o R. Então decidimos continuar com a gravação de voz, mas antes aumentamos o tamanho da letra.

Seguimos por quase uma hora, nas primeiras lições. Escolhemos o toque do celular, tiramos a foto dela e colocamos a mensagem que apareceria abaixo do nome dela no Whats (Não esqueça de mim!). Ela fez questão que eu a ensinasse como desligar o aparelho, para que quando ela estivesse no cinema com as amigas não atrapalhasse.

Foi tudo muito divertido e desafiador. Sim! Desafiador. Ela aprendera pela primeira vez o que poderá mudar sua relação com o mundo e eu pude viver uma experiência sem precedentes em ter essa oportunidade de ver na minha frente mais uma vez a “Bela Velhice” ao vivo e a cores.

Claro que pensei na minha mãe. O que ela estará aprendendo quando chegar aos 83 anos como a Dona Zeny? O que eu estarei aprendendo quando eu tiver os 60 como a minha mãe? E aos 83? Os pensamentos não pararam fácil.

Bom, Dona Zeny saiu dali já com a sua segunda aula agendada (pelo WhatsApp) para o almoço do dia seguinte, quando uma outra amiga – da sua idade – poderá ajudá-la com mais alguma dica.

Eu dormi feliz com a maravilhosa reflexão da manhã: a velhice é a única categoria social a que todos nós pertenceremos um dia e agradecida pela experiência e aprendizados da semana.

Ah... a festa que comentei no início do texto já está agenda e será um Baile de Máscaras! Afinal, 60 anos tem que ser celebrados em grande estilo! Cheers!

Perguntas para reflexão:

  • Qual cultura da velhice você cultiva?

  • Qual a sua “Bela Velhice”?

  • O que significa envelhecer para você?

  • O que você tem aprendido que poderá mudar a sua vida?

  • Qual faxina na própria vida você gostaria de fazer se tivesse 60+?

  • Que o seu "eu melhor" que está sendo construído?

* o termo é usado pela escritora MiriamGoldenberg que inclusive tem um livro com este título.

Magali Lopes já se considerou da geração Millenium, mas tem mais amigos de 60+ que as vezes fica na dúvida se nasceu no ano certo – as vezes pensa também que é uma pessoa inclassificável, mas logo depois as dores do joelho a lembram que ela tem 30+.

Como coach, ajuda pessoas a olhar o significado de suas vidas e encontrar a Bela Velhice com qualquer idade.

Legenda da foto: Dona Zeny em sua primeira chamada de vídeo para uma amiga de Recife.

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