Meu momento olímpico


Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada por esportes, viciada em olimpíadas, fã de carteirinha de vôlei e por aí vai. Pela primeira vez na minha vida tive a oportunidade de acompanhar os jogos olímpicos de pertinho, muita emoção para um coração só, mas nada comparado à melhor experiência olímpica que eu já tive e que gostaria de compartilhar.

Meu primeiro evento ao vivo foi o atletismo, nem conheço bem todas as modalidades, regras e os atletas, mas já estava feliz por poder ver competidores de alta performance, que dedicam a vida inteira atrás do menor tempo, do salto mais alto, da arremesso mais longo.

No meio de tanta prova acontecendo ao mesmo tempo, não foi um atleta que me chamou a atenção e sim uma família de franceses sentados na fileira de trás. Eles estavam ansiosos, eram discretos, mas confesso que ouvi-los falando outra língua me fez prestar atenção naquelas pessoas. De repente começaram as eliminatórias da corrida dos 100m com barreiras e aí ficou claro o que eles estavam fazendo ali.

Assim que um dos atletas foi apresentado, uma torcida organizada de pai, mãe, irmão, tio, treinadora e mais alguns amigos explodiu atrás de mim. No segundo seguinte um silêncio no estádio, atletas concentrados para o início da prova, foi quando um deles saiu na frente, queimou a largada, como dizem. Na mesma hora uma comoção tomou conta daquelas pessoas. Sim, era a família do atleta, daquele atleta que deve ter abdicado inclusive da sua família para conseguir a melhor marca e estar ali naquele dia olímpico. E agora ele não teria outra chance de competir. Quanta tristeza, quanto choro, quanta desolação.

O tempo passou e eles continuavam lá, deviam estar à espera do filho querido que mais tarde apareceu. Eu confesso que acompanhei as demais provas, torci e comemorei, mas meu pensamento estava na fileira de trás. Antes de ir embora, passei por aquela mãe, que estava conversando com a treinadora e minha reação foi uma só: um abraço bem apertado na maior torcedora que aquele atleta poderia ter.

Eu não falo francês, ela não fala inglês e muito menos português. Só entendi o seu "merci", mas foi a linguagem do amor, do interesse e do cuidado que foi soberana. Ela aceitou meu abraço e eu aceitei o seu choro. Lembrei dos meus pais torcendo por mim, imaginei que um dia vou torcer pelas minhas filhas, em qualquer modalidade que seja. Sofri com aquela família e tive a oportunidade de confortá-la.

Naquela noite ainda teve a medalha de ouro do Brasil no salto com vara e uma vitória incrível no vôlei, mas nada foi mais emocionante e gratificante do aquele momento, o meu momento olímpico.

O que eu levo dele? Gratidão por estar ao lado daquela família e poder acolhê-la, gratidão pelos meus pais por toda torcida que eles me ofereceram até aqui e sem dúvida nenhuma levo a alegria de saber que mais momentos olímpicos, por mais singelos que sejam, ainda estarão por vir ao logo da minha trajetória. Qual foi o seu momento olímpico hoje?

Cristiane Barbosa Vicchiato

Coach e co-fundadora da Eight∞ Coaching/ www.8coaching.com.br

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