Empoderando as pessoas em época de crise


“A crise é interessante porque muda os hábitos dos consumidores….Na crise, eles ficam mais seletivos. Então, continuamos com investimento em Marketing…Outra coisa que aprendi na crise é que é melhor focar nas marcas existentes do que trazer novas marcas, pois exige um investimento grande.” Alberto Carvalho – presidente da P&G, uma das maiores empresas de consumo do mundo.

A entrevista na íntegra foi publicada hoje no Jornal O Globo de domingo. Num interessante relato Alberto fala de sua experiência perante a outros muitos momentos de crise e ações estratégicas para se posicionar nos próximos anos da economia brasileira.

Assumiu ter um perfil mais prudente e uma das maneiras para enfrentar a crise foi reduzir o orçamento em até 40% em algumas áreas, o que levou a identificar novas oportunidades.

Toda a entrevista foi direcionada para uma ótica do Negócio, afinal fazia parte do caderno de Economia do jornal. Ao final de minha leitura, mesmo gostando muito da entrevista, me veio à pergunta. E qual é a estratégia que a empresa está utilizando para empoderar seus funcionários frente à crise?

Acredito que os hábitos dos funcionários também mudam numa situação instável. Imagino ainda que muitos fiquem até mais retraídos. Se antes ousavam mais, agora por medo de perder seus empregos e com o orçamento enxuto, perdem oportunidades de inovar e acabam por seguir com um trabalho medíocre.

Minha experiência em empresa de bem de consumo me leva a pensar que a área de DHO também sofreu algum corte e assim a verba de desenvolvimento humano ficou mais escassa e seletiva. Diante disso, perguntas ecoam…Será que a mesma estratégia de focar nas marcas existentes é aplicada nos funcionários? Como levar uma percepção para os funcionários de que a empresa também está focando neles?

Na entrevista este tema não foi abordado, portanto não sei como é a estratégia da P&G. Mas minha experiência em RH e agora em Rede Colaborativa, me faz acreditar que a única maneira de vencer a crise é empoderando as pessoas a terem atitudes mais conscientes e colaborativas. Em tempo de crise, uma das hipóteses que levanto, é que cortar orçamentos em linhas separadas e segmentar as áreas da empresa, pode levar a uma competição interna baseada no medo da perda do emprego ou vaidade existente no ambiente corporativo. E uma das saídas para enfrentar a “vilã da crise” (que neste caso não é nem mais econômica) é ampliar a visão holística não só do Negócio, mas das pessoas que fazem acontecer o Negócio. Por isso, continuo a ecoar um diálogo sem respostas:

CEO: O que acontecerá se investirmos no desenvolvimento das pessoas e elas nos deixarem?

Coach: O que acontecerá se nós não investirmos e elas ficarem?

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